Rio pós Olímpico

IMG_2349

Em outubro de 2009, teve inicio a corrida olímpica carioca. Seriam sete anos para preparar a casa para a festa!

Agora, em outubro de 2016 a festa passou, foi maravilhosa e com certeza um marco na história da cidade que apesar de seguir com algumas de suas mazelas centenárias mudou muito, e para melhor! As ambições que iam além do evento esportivo, visavam melhorar os transportes públicos na cidade, além de promover esporte e saúde.

IMG_1961

O evento consolidou o Rio no cenário internacional como cidade que, apesar das dificuldades locais e do País, consegue superar tudo e encantar o mundo!

Atletas, organização, imprensa, visitantes e cariocas viveram intensamente esses dois meses de Olimpíadas e Paralimpiadas. E agora seguimos com a história pós-olímpica e seus tão falados legados.

Em alguns bairros, como o centro e a Barra da Tijuca nasceu uma nova cidade, baseada na ampliação de sistemas de transporte de massa. Metrô e BRT uniram as “cidades” da Zona Sul e da Barra. O percurso de Ipanema até a Barra que antes demorava duas horas ou mais, hoje leva 15 minutos, ou 35 a partir do Centro. Chegando à Barra, há integração de verdade com o BRT, roletas unificadas, sem pisar na rua, e em menos de dez minutos se chega ao Barra Shopping ou ao Terminal Alvorada.

Untitled-1

A região chamada ‘Porto Maravilha” realmente se transformou, de área degradada, suja, escura e perigosa para ponto turístico mega visitado. No caminho havia a promessa de que tudo seria integrado à infraestrutura para as bicicletas.  Mas esse sonho se perdeu. A malha cicloviária da cidade mais que dobrou no período de preparação, com alguns trechos muito convidativos como a ligação quase direta entre a ciclovia do aterro, a Orla Conde e o Boulevard Olímpico. Aliás, já é possível ir da Praia de Botafogo até a Rodoviária Novo Rio, de bicicleta, por ciclovias e calçadões sem precisar colocar os pés no chão num trajeto de 12 km. Uma via expressa para ciclistas e pedestres mas com uma bela vista, segurança, tranqüilidade e praticidade. Um convite ao uso da bicicleta como meio de transporte, agregando a mais nova paisagem urbana carioca como um prêmio a quem pratica a sustentabilidade nos transportes.

A mente motorizada dos que planejaram os transportes durante os jogos e depois, desperdiçou parte das oportunidades ciclísticas do evento e da cidade. Mas a população, as delegações e comissões técnicas se encarregaram de mostrar a eles o potencial das bicicletas, fazendo do evento uma grande festa ciclística com uma verdadeira invasão pelas regiões olímpicas do Rio.

IMG_1648

Quem planejou, esqueceu que muitos atletas teriam de se deslocar por uma distância menor do que 5 quilômetros, a partir da Vila Olímpica e nos outros clusters olímpicos, viagens curtas e facilmente pedaláveis.

No horizonte do Rio 2016, pairavam excelentes legados. A cidade ganhou muito com a inserção de novos BRTs, nova linha de metrô, VLT no Centro Histórico, ambos melhoraram tempos de viagem e a qualidade de vida do Carioca. Mas ainda falta para que a conexão das bicicletas com estes modos de alta capacidade mais eficientes. Uma política que vinha sendo feita cada vez mais no Rio de Janeiro se perdeu durante os preparativos olímpicos e agora depende da retomada da transformação do Rio em uma cidade com mobilidade mais humana.

IMG_2162

Para conhecer melhor a trajetória dessa história, visite os links abaixo:

Outubro 2009:
Rio 2016 – Impulso para os Transportes.
Agosto 2016:
Cariocas, preparem-se para as Olimpíadas.
Faça como os Holandeses!
Medalha de Ouro para as Bicicletas.

Dez anos de Pioneirismos, Desafios e Conquistas.

DSC04777

Neste mês de setembro, faz dez anos que a Transporte Ativo realizou o primeiro Desafio Intermodal deste século no Brasil, a primeira Vaga Viva e a “tradução” dos nomes para o português. O Desafio Intermodal veio do Inglês/Canadense Commuter Challenge. A Vaga Viva foi inspirada no americano Parking Day, trocadilho que em português não tinha o mesmo efeito. O nome veio de uma sugestão do Willian Cruz do ‘Vá de Bike’ de colocarmos na esquina uma placa dizendo “hoje, nesta rua, uma vaga ganhou vida”.

DSC05064

Ruas verdes já eram realizadas em Belo Horizonte pela organização Rua Viva, mas as vagas vieram com a ideia do grupo reBar de São Francisco – Califórnia, que no ano anterior lançou a iniciativa que conhecemos, rebatizamos e realizamos. O Parking Day cresceu mundo afora e no Brasil também, virou Parklet, passou de ativismo a politica pública e vem ganhando cidades no mundo e no Brasil. O Parking Day e as Vagas Vivas seguem seu caminho abrindo novas portas e janelas. É muito gratificante ver que aquela ideia que acreditamos vingou, se espalhou e hoje acontece com frequência por aí.

O Desafio Intermodal também se difundiu bastante. Hoje segue sozinho, anualmente, em mais de 20 cidades brasileiras. Gera e apresenta resultados que os que pedalam já sabiam, mas surpreendem a todos os outros.

No Rio, o Dia mundial sem Carros também começou como uma inciativa da sociedade civil, cresceu, a Cidade aderiu como evento oficial, mas nos últimos anos vem acontecendo de forma bem tímida. O Dia Mundial sem Carro mais marcante em terras cariocas foi aquele de 2007, inesquecível para os que participaram.

Untitled-1

Nestes dez anos, muita coisa mudou, muito do que imaginávamos lá atrás já existe hoje, ou seja mudanças são possíveis! O caminho é longo, pois ainda há muito a ser feito, mas as forças se renovam, novos grupos e novas ideias surgem, como a que a Ameciclo realizou neste dia 22 de setembro, sinalizando resultados de contagens de ciclistas nas próprias ruas e avenidas onde foram realizadas.

sterp9

Que venham novos pioneirismos, novos desafios e novas conquistas, os ciclistas tem feito por onde, chegaremos lá!

O potencial para o uso comercial de bicicletas de carga.

3

O Ministério dos Transportes da Alemanha publicou um amplo estudo sobre o uso de bicicletas para o transporte comercial. O potencial de bicicletas de carga, para contribuir com um transporte mais amigável e eficiente de mercadorias em áreas urbanas, especialmente no último quilometro, aquele onde o produto vai da loja ao consumidor final e até mesmo dos depósitos para as lojas, ainda é muito subestimado, afirma o secretário alemão Dorothee Bär.

O estudo estima que existam atualmente mais de 50 mil bicicletas de carga em uso na Alemanha, sendo 58% utilizadas para as entregas postais. O potencial calculado foi muito conservador, mesmo assim as 8% de viagens de carga realizadas hoje em bcicicletas, teriam potencial para subir à 23% do total. Os cálculos foram feitos pressupondo que o peso máximo das mercadorias transportadas é de 50 kg e a distância máxima percorrida por dia é de 20 km. Sabemos  que muitas entregas por bicicleta chegam a transportar até 250 kg em triciclos pesados e que alguns ciclcistas chegam a percorrer 80 km em apenas um dia, ou seja o potencial aumentaria muito com valores mais realistas.

Dentro do estudo, exsiste a recomendação da  European Cyclelogistics Federation em se  formar redes de cooperações, a fim de aumentar a visibilidade e a eficiencia. O Ministério alemão também pretende publicar orientações com recomendações para diferentes regiões do país.

CCC (716)

No Rio de Janeiro, uma vez chamado pela consultoria Dinamarquesa Copenhagenize de Cargo Bike Capital, o uso de bicicletas na logística urbana é muito comum, assim como em todo o Brasil e em cidades Latino Americanas. A Transporte Ativo já realizou levantamentos sobre o assunto em 2011 e 2015, trabalhos que renderam prêmios e diversas apresentações em conferências ao redor do mundo. Alguns resultados do potencial por aqui, podem ser vistos no Paper “Os Benefícios dos Veículos de Carga à Propulsão Humana: Cidades Podem Alcançar Menores Emissões e Maior Segurança”.  Apenas no Bairro de Copacabana foram encontradas mais de 700 bicicletas à serviço e empregos diretos, que realizam mais de 10 mil entregas por dia, gerando diversos benefícios, como economia de emissões, de espaço e de ruídos entre outros.

Além do transporte de cargas e bens, as bicicletas de carga servem também como uma extensão ao comércio local, indo mais longe em busca de resultados.

Foto: Fabio Nazareth

O estudo Alemão citado acima, pode ser encontrado, em alemão, aqui “Untersuchung des Einsatzes von Fahrrädern im Wirtschaftsverkehr

Inspirado em texto de Susanne Wrighton
Senior Project Manager at Austrian Mobility Research

Congresso Latinoamericano sobre Ciclismo Urbano.

ruedalab_O

Esta se encerrando o projeto “Estratégia Integral para o uso da Bicicleta em cidades da América Latina” realizado com financiamento do BID e coordenado pela Universidad de Los Andes em parceria com a Fundacion Despacio – Bogotá; ITDP México – Ciudad de Mexico; Municipalid de Rosario – Argentina e Transporte Ativo – Rio de Janeiro.

Para isso em novembro Bogotá será sede do RuedaLab, primeiro Congresso Latinoamericano sobre Ciclismo Urbano. O evento visa fomentar o intercâmbio de conhecimento técnico e cientifico que contribua para a promoção do uso da bicicleta como meio de transporte.

Estão abertas as convocatórias para participar do congresso, e os 10 melhores trabalhos selecionados terão seus custos de viagem ao evento cobertos pela organização.

Participe! Saiba mais e inscreva seus trabalhos até o dia 12 de setembro.

Alguns dos resultados deste projeto estão disponíveis aqui.

ruedalab

Pedala Manaus, uma lição de cidadania.

IMG_2436

Pelo 5º ano consecutivo o Pedala  Manaus realiza seu Fórum de Bicicletas. O evento toma corpo e maturidade a cada edição, se tornando mais importante para a cidade e a busca de uma Manaus mais sustentável e amiga das pessoas. O Fórum, em suas diversas edições, já alcançou ciclistas que utilizam a bicicleta para esporte e lazer, academicos, políticos e administradores, sempre com assuntos pertinentes a mobilidade por bicicletas no Brasil e pelo mundo afora.

Nesta edição, cujo tema foi “A Necessidade de Políticas Públicas de Ciclomobilidade para o Desenvolvimento Urbano“, diferentes visões foram apresentadas, cada palestrante com sua abordagem e visão específica.  Laura Ceneviva, Secretária Executiva do Comitê Municipal de Mudança do Clima e Ecoeconomia do Município de São Paulo , que fez parte do Pró-Ciclista SP e foi uma das responsáveis pelo histórico workshop de planejamento cicloviario em Guarulhos 2006; Jaime Ortiz, ex-secretário de obras públicas de Bogotá, responsável pela implantação das ciclovias na cidade na década de 70; Clarisse Linke Diretora Executiva do ITDP Brasil e Zé Lobo representando a TA, deram uma mostra do que vem sendo feito e das necessidades atuais e futuras. Em comum a real necessidade de mudanças em nossas cidades e em nosso comportamento. Veja trechos das apresentações no site Ciclo.BR.

IMG_2554

Para complementar, houve um debate em praça pública com alguns dos candidatos a prefeito, com direito a ferinha com tema Bicicletas, Bike Food, shows e sorteios no final. O Pedala Manaus vem fazendo um excelente trabalho, com perseverança e dedicação eles dão exemplo para quem pensa em promover as bicicletas em sua cidade.

Medalha de Ouro para as Bicicletas.

1

Durante os Jogos Olímpicos elas deram um show, no asfalto, na terra e na madeira. Mas fora das arenas de competição, nas ruas, elas também mostraram seu potencial, ajudando atletas, delegações, torcedores e cidadãos a alcançarem seus destinos com mais eficiência e rapidez.

7

No post anterior, mostramos a estratégia dos holandeses, mas outras delegações fizeram o mesmo, ou parecido, Dinamarca, Alemanha e Estados Unidos também trouxeram bicicletas, Itália e Argentina compraram por aqui. Eram mais de 500 estrangeiros circulando pela Cidade Olímpica e isso motivou e incentivou muitos cariocas a fazerem o mesmo. Mesmo sem qualquer tipo de incentivo por parte da organização dos jogos lá estavam elas, melhorando a mobilidade da cidade independente de esforços governamentais.

2

As grades da vila olímpica, do parque olímpico e de muitas outras arenas ficaram repletas delas, assim como os postes e bicicletários próximos. As agências de turismo em bicicletas também estavam com suas agendas cheias, pessoas do mundo inteiro queriam pedalar por aqui. Em breve teremos os Jogos Paralímpicos e lá estarão elas novamente, nas modalidades Ciclismo de Estrada, de Pista e nas ruas. Que esta tendência se perpetue e siga como legado inesperado dessa jornada Olímpica.

6

Faça como os Holandeses!

e

Durante os jogos olímpicos, vemos muito de superação individual, busca por resultados e sonhos. Em meio a tudo isso uma grata surpresa surge em plena Rio 2016, as bicicletas. Iniciando pelo circuito Ciclismo de Estrada mais bonito e completo de todos os tempos, encantando o mundo, a presença das bicicletas na cidade foi muito além do esporte.

Contrariando as indicações da prefeitura, enviadas aos portadores de ingressos de qualquer modalidade olímpica, para que não usassem bicicletas para ir aos jogos, delegações, atletas, voluntários e torcedores fizeram delas a melhor forma de se deslocar pela cidade durante os jogos.

O maior e melhor exemplo, veio da delegação Holandesa, que trouxe sua própria frota de bicicletas para que seus atletas, delegados e voluntários não tivessem problemas ao se deslocar pela cidade, com o previsível caos no trânsito que se anunciava. O Comitê Olímpico Holandês em parceria com a marca holandesa de bicicletas Gazelle coloriu a cidade maravilhosa com suas bicicletas laranjas, circulando sem qualquer tipo de problema ou retenções no trafego durante os jogos.

Conversamos com alguns holandeses pedalando pelas ruas e todos foram unanimes em dizer que as bicicletas fazem parte de seu dia a dia, algo quase como caminhar e que isto é possível em qualquer cidade.

a

Nas palavras do Consul Geral Arjen Uijterlinde além dos benefícios que já conhecemos, a bicicleta traz sustentabilidade aos jogos, ou seja, é uma importante ferramenta para as mudanças que estamos precisando para o planeta.

O exemplo holandês de trazer suas bicicletas e sua cultura para os jogos Rio 2016 soa como uma grande lição para nossos gestores e planejadores estratégicos, que foram incapazes de ver a bicicleta como uma das soluções para a demanda por transportes durante os jogos, que pode transcender e virar legado para grandes eventos.

Muito do planejamento cicloviário carioca e brasileiro tem influência da expertise holandesa. Entre 2005 e 2010 a organização holandesa Interface for Cycling Expertise – ICE, esteve por aqui através do Bicycle Partnership Program, influenciando e qualificando técnicos, consultores e sociedade civil para o planejamento cicloviário. Agora, 10 anos após eles nos dão uma lição de mobilidade urbana, in loco durante os jogos Rio 2016 ao trazerem uma frota de bicicletas para que seus atletas, dirigentes, técnicos e voluntários pudessem circular pela cidade.

Ao tomar as ruas e bicicletários dos clusters olímpicos, eles vêm dando um belo exemplo de como se deslocar com eficiência contribuindo não só para que os jogos sejam mais sustentáveis, mas para mostrar que sim, é possível que a cultura de uso da bicicleta holandesa seja usada em qualquer lugar.

b

Parabéns à delegação Holandesa por trazer sua cultura e nosso obrigado pelo belo exemplo.
Obrigado e parabéns também à todos os atletas de diferentes países, voluntários e visitantes que tiveram na bicicleta seu principal meio de transporte durante os jogos, ajudando a cidade a circular com tranquilidade e ficar mais limpa e bonita.

Mais sobre bicicletas no Rio 2016:
· Going Dutch: Beating Traffic on Two Wheels.
· Atletas da vela chegam de bicicleta para competição na Marina da Glória.
· Remadores abrem mão de transporte oficial e vão de bicicleta para Lagoa.
· Para driblar trânsito caótico, bike vira opção para ir ao Parque Olímpico.

 

Cariocas, preparem-se para as Olimpíadas

IMG_1730
O dia 05 de agosto de 2016 marca o fim de 2500 dias de preparação Olímpica da cidade do Rio de Janeiro. Nesses quase 7 anos, a cidade teve um viaduto a menos, a volta do bonde, corredores exclusivos para os ônibus e uma grande reordenação das linhas. Além é claro de dezenas de outras grandes obras.

Muito mudou no Brasil e no Rio desde outubro de 2009 quando em festa nacional, a Cidade Maravilhosa tornou-se a primeira da América do Sul a ser palco da maior celebração do esporte no mundo. O primeiro à chegar no entanto, foi o “Imprevisível de Almeida”, parente próximo do “Sobrenatural de Almeida” de Nelson Rodrigues. Com ele vieram os atrasos nas obras, a crise política, a econômica e todas as manchetes negativas que circularam antes das Olimpíadas.

Os desafios da população no entanto estão concentrados justamente no período das competições. Entre 5 e 21 de agosto mais do que cidade, o Rio de Janeiro será palco. Mas ao contrário do teatro, nem tudo se resume ao público e as estrelas do espetáculo.

A recomendação oficial é que o carioca deve “evitar transitar”. Face a uma recomendação tão drástica, fica esquecido o óbvio, sobre como a cidade precisa ser melhor para além das arenas e cartões postais. Nos feriados olímpicos, as pessoas “devem aproveitar o feriado sem grandes deslocamentos, preferindo ficar em casa ou curtir o lazer perto de onde moram”. Ou seja, é preciso viver uma cidade na escala humana.

É preciso planejar

Circular de carro no Rio de Janeiro é uma opção rotineiramente ruim, no caso excepcional das Olimpíadas, é ainda pior. As “faixas olímpicas” já provaram ao que vieram. Antes mesmo da cerimônia de abertura o Rio já detinha um honroso quarto lugar no ranking de piores congestionamentos do mundo, com espaço reservado para a circulação motorizada da “família Olímpica”, os cariocas se tornaram o morador da casa que passa a dormir no sofá para receber a visita especial. A recomendação óbvia portanto, é simplesmente guardar as “poltronas motorizadas” na garagem.

Ainda assim a circulação livre, nem mesmo de bicicleta, grandes interdições nas ruas estão previstas para todas as regiões. Por isso é fundamental acessar o roteiro de alterações no trânsito disponibilizado pela prefeitura.

O guia do torcedor Olímpico ciclista

Este slideshow necessita de JavaScript.

Com base no Mapa Cicloviário do Rio de Janeiro, plotamos todos os bicicletários próximos a alguns dos locais dos jogos. Basta clicar nas imagens acima e conferir que muitas vezes a bicicleta deixa o torcedor mais perto que o transporte público.

Aproveite os espaços que vão se abrir

Interdições no entanto tem um aspecto fundamental que sempre beneficia quem pedala, são aberturas involuntárias das ruas para as pessoas. Circular nos ônibus e no metrô pode variar entre complexo até simplesmente impossível, dadas as restrições impostas aos “sem ingresso”

Talvez melhor do que ruas e avenidas abertas temporariamente, o carioca pode também aproveitar as provas de rua ao ar livre. Vai ter ciclismo de estrada, contra-relógio, maratona além de competições náuticas.

Promovam a bicicleta

Veículo individual, a bicicleta é solução perfeita para momentos complicados de circulação, é portanto fundamental espalhar os benefícios para mais pessoas, esse sim um legado Olímpico que podemos entregar. Primeiro passo é saber que para muitos eventos, vai ser mais fácil chegar em bicicleta e estacionar nos bicicletários já existentes do que contar com o transporte público. Para isso, o mapa cicloviário é a solução.

Para quem não é espectador, as atividades não-olímpicas serão muito mais simples de serem feitas em bicicleta. Seja o deslocamento cotidiano para quem não teve férias, quanto as outras pequenas viagens para compras e lazer.

A bicicleta para além do esporte

Ciclismo de estrada, contrarrelógio, BMX, Mountain Bike e diversas provas na pista irão merecer muitas medalhas, mas um evento paralelo e aberto irá discutir mais do que as competições em duas rodas. A Transporte Ativo participará ativamente do Shimano Lounge, que acontece de 02 a 21 de agosto no Hotel Tulip Inn em São Conrado. Confira nossa agenda:

Dia 8 de agosto 2016 – Segunda-Feira:
17 as 18hs e 18 as 19hs
“Mobilidade por Bicicletas no Rio, no Brasil e no Mundo, as Bicicletas para além do Esporte“

Dias 16 e 17 de agosto 2016 – Terça e Quarta-feira:
18 as 19hs
“Perfil do Ciclista Urbano Brasileiro”

Dia 20 de agosto 2016 – Sábado:
18 as 19hs e 19 as 20hs
“Mobilidade por Bicicletas no Rio, no Brasil e no Mundo, as Bicicletas para além do Esporte“

Saiba mais:

Paes pede que carioca evite transitar pelo Rio nesta sexta
O Brasil chega à Olimpíada sem cara
Faixas olímpicas causam congestionamentos e mais de 200 multas no Rio
Rio 2016 – Mobilidade
“Bike vai ser o melhor transporte durante a Olimpíada”
Shimano Lounge

Esse post se inspirou nas recomendações ciclísticas para Londres 2012.

Pokémon Go, megadados e bicicletas

Pikachu Foto: Rian Castillo

Pikachu – Foto: Rian Castillo

O jogo Pokémon Go foi o primeiro sucesso a unir o virtual com interações no mundo real. Para ser bem sucedido no jogo é preciso desbravar as cidades. Há um mapa, pontos de interesse e criaturas soltas a serem capturadas.

Para entender a dimensão do esforço de energia humana, o primeiro (e até agora único) grão mestre Pokémon teve de caminhar mais de 150 quilômetros para colecionar os 142 bichinhos virtuais diferentes disponíveis, tendo capturado um total de 4.269 monstros e emagrecido 4,5kg no processo.

Esse novo fluxo de pessoas e os dados georreferenciados que elas geram são um valioso recurso de megadados (ou bigdata), já devidamente capitalizado pelos criadores do Pokémon Go.

As pessoas se deslocam pela cidade para gastar dinheiro, consumir produtos, mas ao mesmo tempo geram efeitos negativos tais como a superlotação dos transportes públicos ou a poluição.

Entender o espaço urbano como uma pulsação de pessoas é fundamental para planejar melhor. Afinal, hoje no Brasil 86% das pessoas vive em cidades, quase 180 milhões em circulação de um total de 3,8 bilhões no mundo.

A realidade virtual é o flanar do século XXI?

No mundo em aceleração do século XIX, flanar era baixar a velocidade para imergir nas cidades cada vez mais rápidas. Ainda que a velocidade da época fosse a da tração dos animais ou das máquinas movidas a vapor.

Pokémon Go/Gustave Caillebotte, "Paris Street, Rainy Day," 1877

Pokémon Go/Gustave Caillebotte, “Paris Street, Rainy Day,” 1877 (Arte: CityLab)

Mais do que um jogo, Pokémon Go é uma técnica de trazer pessoas para os espaços públicos e principalmente um meio para unir o real e o virtual, a “realidade estendida” que se soma à “gameficação” das cidades.

Existem lições valiosas a serem aprendidas, certamente a maior delas é que a natureza humana anseia por interação e os espaços públicos estão aí para serem explorados, “conquistados” e, acima de tudo, melhorados.

Usar a inteligência dos dados do fluxo de pessoas no entanto vai muito além de um jogo de celular. Talvez o principal banco de megadados, ainda subexplorado, seja o das viagens em bicicletas públicas. O CitiBike de Nova Iorque tornou público em 2015 o seu relatório de uso após mais de 22 milhões de viagens.

Já a Fietsersbond (União de Ciclistas Holandeses) criou a semana de contagem de ciclistas, a maior pesquisa sobre o uso da bicicleta no país de 18 milhões de magrelas e 17 milhões de habitantes. Com um aplicativo de celular, foi possível descobrir dados sobre onde os ciclistas perdiam mais tempo em semáforos e onde havia potencial para a construção ou melhorias na infraestrutura cicloviária.

Seja para gerar riqueza para as empresas de software, ou benefícios para a população das cidades, os megadados estão aí para serem “minerados” em busca de informações valiosas.

Saiba mais:

Go Pokémon GO!: The Social Life of Virtual Urban Spaces
The Pokepocalypse Is Coming for New York
Pokémon Go Has Created a New Kind of Flâneur
Cyclists and Public Bike Sharing – the best kept secret in Smart City data collection?
A Tale of Twenty-Two Million Citi Bike Rides: Analyzing the NYC Bike Share System
Fiets Telweek: Measuring, improving and stimulating of bike-behaviour

Bicicletas a serviço das empresas

IMG_2016-07-26 21:43:52

Existem quatro maneiras de definir os diversos usos que as bicicletas podem ter para serviços de logística. Desde empresas cuja missão é fazer entregas, até consumidores que voltam do mercado pedalando.

Entre esses dois extremos estão as empresas que entregam produtos, mas cuja atividade fim é outra, pizzarias e farmácias por exemplo. Um outro tipo no entanto tem se popularizado nas ruas cariocas é mostra a evolução clara da cultura da bicicleta na cidade.

Trata-se da bicicleta como ferramenta complementar ao setor de serviços. Os técnicos de elevador com suas cargueiras são a forma mais antiga, mas circulam agora também montadores de móveis e instaladores de TV à cabo.

IMG_2016-07-26 21:44:00

A lógica é simples, serviço eficiente precisa de agilidade e nada mais ágil na cidade do que as duas rodas.

Como mostram as fotos que ilustram esse post, bicicletas personalizadas da NET e da Tok&Stok tem circulado pelo Rio de Janeiro. Tem assistência elétrica, o que talvez seja herança de uma visão motorizada de quem implementou a mudança para as duas rodas.

Os custos e eficiência de usar os pedais, mesmo que com impulso motorizado, certamente já se mostraram. Ambas as empresas serão ainda mais merecedoras de congratulações quando deixarem de lado os motores e abraçarem por inteiro a leveza e simplicidade da bicicleta.

IMG_2016-07-26 21:43:45

Bicicleta de entrega da DHL na Alemanha

Aquele empurrão elétrico é melhor deixar para outros “veículos urbanos de carga”, bicicletas capazes de transportar centenas de quilos e fazer entregas de grandes e pesados volumes. Para todas as outras, melhor seguir o exemplo da DHL Alemã ou das centenas de empresas que já dispõe de frotas de bicicleta.

Saiba mais: